Pesquisa da UFPR identifica ligação entre deformidades faciais e maior vulnerabilidade emocional
Criação por IA
Um estudo da Universidade Federal do Paraná (UFPR) revelou que pessoas com deformidades dentofaciais — alterações no posicionamento dos ossos da face e dos dentes — tendem a ter maior insatisfação com a própria aparência. A pesquisa também apontou sinais de maior vulnerabilidade psicológica nesses pacientes, especialmente em relação a possível transtorno dismórfico corporal (TDC), condição caracterizada por uma preocupação excessiva com supostos defeitos físicos.
O trabalho foi publicado no Journal of the Brazilian College of Oral and Maxillofacial Surgery (JBCOMS) e conduzido pelo mestrando Romulo Molinari, junto a outros colaboradores da UFPR.
Os pesquisadores avaliaram 80 pessoas, sendo 40 com deformidades dentofaciais e 40 sem deformidades faciais. Entre os pacientes com deformidades, 30% apresentaram sinais de transtorno dismórfico corporal.
Insatisfação com a aparência
Um dos principais resultados mostra que pessoas com deformidades faciais avaliam de forma mais negativa sua aparência. Em um dos questionários aplicados, os pacientes com deformidade obtiveram mediana de 12 pontos, enquanto o grupo controle registrou apenas 3 pontos — uma diferença expressiva. Isso significa que a aparência facial tem um forte impacto psicológico e social nesses indivíduos, influenciando sua autoestima, vida social e até decisões sobre cirurgia corretiva.
A ligação entre aparência e saúde mental
Os autores encontraram uma forte correlação entre a insatisfação facial e os sintomas do transtorno dismórfico corporal. Em outras palavras, quanto maior o incômodo com o próprio rosto, maior a chance de o paciente apresentar traços de TDC.
Para o pesquisador Romulo Molinari, o achado reforça a necessidade de uma avaliação psicológica antes de cirurgias ortognáticas, procedimento indicado para corrigir deformidades faciais.
“A integração entre cirurgia bucomaxilofacial e psiquiatria é essencial, especialmente em uma época em que as redes sociais amplificam padrões de beleza inatingíveis e aumentam a angústia estética”, destaca Molinari.
Por que isso é importante
O estudo mostra que cuidar da saúde mental é tão importante quanto corrigir o aspecto físico. Identificar sinais de TDC antes da cirurgia pode ajudar a evitar frustrações com o resultado estético e contribuir para o bem-estar emocional do paciente no pós-operatório.
O estudo: Journal of the Brazilian College of Oral and Maxillofacial Surgery – Jul–Set 2025; 11(3): e252538