Nova combinação terapêutica abre caminho para melhor controle da insuficiência cardíaca na doença de Chagas

Estudo sobre doença de Chagas, que atinge entre 1 e 2 milhões de pessoas no Brasil, será destaque em debates científicos no Congresso da SOCESP

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Renato Lopes_conferencista do SOCESP 2026

Um dos temas que deve ganhar protagonismo nas discussões científicas do 46º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), entre os dias 4 e 6 de junho, é o avanço no tratamento da cardiomiopatia associada à Doença de Chagas, impulsionado pelos resultados do estudo PARACHUTE-HF.  

O ensaio clínico representa um marco ao se posicionar como o primeiro estudo randomizado de grande porte a avaliar, de forma dedicada, estratégias farmacológicas contemporâneas para insuficiência cardíaca nessa população, historicamente sub-representada nos grandes trials de IC, e que é coordenado pelo cardiologista brasileiro Renato Lopes. 

A doença de Chagas ainda é um importante problema de saúde pública no Brasil, com estimativas de 1 a 2 milhões de pessoas infectadas. Em muitos casos, a evolução leva a complicações cardíacas graves, como insuficiência cardíaca, arritmias e risco de morte súbita. 

O PARACHUTE-HF avaliou o uso de uma terapia moderna, a combinação sacubitril/valsartana (medicamento para insuficiência cardíaca), em comparação ao tratamento convencional, trazendo três contribuições principais para a prática clínica. O estudo evidenciou que pacientes com cardiomiopatia chagásica apresentam características próprias, como maior frequência de AVC e arritmias, mesmo com menor presença de fatores de risco tradicionais. Além disso, demonstrou que a medicação é segura e bem tolerada nessa população, apesar da maior tendência à queda de pressão arterial. 

Outro achado relevante foi a redução significativa do principal marcador que indica sobrecarga do coração, o NT-proBNP, associado ao risco de pior evolução da doença. “Estamos falando de uma população que, por muito tempo, ficou à margem dos grandes estudos clínicos. O PARACHUTE-HF muda esse cenário ao trazer evidências específicas e consistentes para o tratamento desses pacientes”, afirma Pedro Barros, coordenador do Late-Breaking Clinical Trials (Ensaios Clínicos de ‘Última Hora’) do 46º Congresso da SOCESP. 

Renato Lopes, líder global do estudo PARACHUTE-HF e também coordenador do Late-Breaking Clinical Trials (Ensaios Clínicos de ‘Última Hora’) do 46º Congresso, relata que os resultados têm potencial para influenciar diretamente o dia a dia nos consultórios. “Além de mostrar que a terapia é segura, o estudo aponta para um possível impacto positivo no prognóstico, o que é extremamente relevante em uma doença com alta mortalidade”, destaca. 

O estudo integrará uma série de discussões no 46º Congresso da SOCESP dedicadas aos principais trabalhos científicos nacionais e internacionais da cardiologia. Os debates irão abordar como essas evidências estão sendo incorporadas à prática clínica e de que forma podem contribuir para avanços que se traduzam em mais qualidade de vida para a população.