O “coração partido” atinge mais mulheres, mas incidência em homens tem aumentado
Um dos cardiologistas que faz parte do Registro Internacional de Takotsubo será conferencista no Congresso SOCESP
Davide Di Vece, conferencista do SOCESP 2026
Os dados do International Takotsubo Registry (InterTAK — Registro Internacional de Takotsubo, também conhecida como a “síndrome do coração partido”) revelam que as mulheres representam 88% dos casos e os homens, 12% na média geral dos anos analisados, embora tenha havido uma transição significativa ao longo do tempo. A proporção de pacientes do sexo masculino aumentou significativamente de 10% para 15% nos últimos anos. A mudança reflete maior reconhecimento da síndrome em homens e, possivelmente, diferenças socioculturais no diagnóstico. O trabalho reuniu 3.957 pacientes diagnosticados por quase 20 anos em 60 centros de saúde, distribuídos em 15 países.
O Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), que será realizado de 4 a 6 de junho, receberá o cardiologista intervencionista Davide Di Vece, um dos integrantes do Registro Internacional de Takotsubo e consultor do Hospital Universitário de Greifswald, na Alemanha. Em sua palestra intitulada “Diagnostic Work-up and Outcomes: Insights from the International Takotsubo Registry”, Di Vece apresentará os resultados do InterTAK e fará uma análise dos casos que têm permitido compreender melhor os sinais clínicos, parâmetros de imagem e fatores de risco, abrindo espaço para uma abordagem mais personalizada de diagnóstico e tratamento. “Embora a incidência em homens seja muito menor do que em mulheres, eles costumam apresentar quadros mais graves e piores resultados clínicos. Essas informações ajudam médicos a identificar melhor os riscos e aprimorar os cuidados com cada paciente”, explica o especialista.
Em outro painel, “Takotsubo, just a broken heart?”, o cardiologista mostrará que essa condição vai muito além de uma simples reação emocional. Pesquisas recentes apontam que o Takotsubo é uma síndrome complexa, ligada à interação entre o cérebro e o coração, com impactos reais na saúde cardiovascular. O médico também abordará os desafios para diferenciar o Takotsubo dos infartos, oferecendo caminhos atuais para o tratamento e o seguimento dos pacientes. “Hoje sabemos que o Takotsubo pode causar complicações sérias e até risco à vida, exigindo monitoramento e tratamento cuidadosos”, explica Di Vece.
Para o cardiologista, “o Congresso da SOCESP é um espaço fundamental para trocar experiências, discutir novas evidências e, acima de tudo, melhorar o tratamento e a qualidade de vida dos pacientes”.