150 anos de Joaquín Torres García em exposição inédita no Brasil
O artista ficou conhecido pelo célebre mapa invertido, que reposiciona a América do Sul no centro do mundo
Mapa Invertido de Torres Garcia
O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) em São Paulo apresenta ao público a mostra internacional “Joaquín Torres García – 150 anos”, uma exposição inédita no país que celebra a trajetória de um dos artistas mais influentes da arte moderna latino-americana. A mostra fica em cartaz até 9 de março, com entrada gratuita e funcionamento diário, das 9h às 20h (fechado às terças-feiras).
Com cerca de 500 itens, entre pinturas, desenhos, manuscritos inéditos, maquetes, documentos e os famosos brinquedos de madeira produzidos pela família do artista, a exposição traz ao Brasil um conjunto até então pouco visto fora das reservas técnicas do Museo Torres García, no Uruguai.
O percurso expositivo, em três andares do CCBB, oferece uma visão abrangente não apenas da produção artística de Joaquín Torres García (1874-1949), mas também das suas ideias que marcaram de forma profunda o desenvolvimento da arte na América Latina.
Curada por Saulo di Tarso em colaboração com o Museo Torres García, a mostra aprofunda o conceito de “Universalismo Construtivo”, a abordagem estética e filosófica criada por Torres García que buscava uma arte abstrata baseada em formas geométricas, linguagem universal e símbolos com significado cultural profundo.
A exposição destaca também a importância da pedagogia do Taller Torres García, escola e método que defendiam que artistas latino-americanos desenvolvessem uma produção autêntica a partir de suas próprias referências culturais, em vez de se submeterem a modelos europeus ou norte-americanos.
Mapa invertido
Entre os itens que chamam atenção do público estão “O Mapa Invertido”, ícone da obra de Torres García que representa a América do Sul de cabeça para baixo, como símbolo de uma nova perspectiva sobre identidade e centro cultural. Na época, muitos artistas latino-americanos viam Paris, Londres ou Nova York como modelos a serem imitados. Torres-García criticava essa postura. Para ele, a América Latina precisava construir seus próprios referenciais. “Nosso norte é o Sul”, dizia. A exposição ainda traz manuscritos e volumes raros do artista, revelando seus pensamentos e processos criativos e ainda obras de artistas brasileiros e latino-americanos influenciados pelo conceito e estética de Torres García, reforçando os diálogos culturais que atravessam gerações.
Além de ser uma exposição histórica, “Joaquín Torres García – 150 anos” propõe uma reflexão sobre integração cultural, narrativas do Sul Global e o papel da arte diante de polarizações sociais e culturais. A mostra convida o público a repensar a arte como espaço de escuta, pertencimento e conexão entre diferentes contextos culturais.